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Jacareí aparece em nova fase da Lava Jato

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Cerca de 120 policiais federais cumprem um mandado de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 33 mandados de busca e apreensão, em 15 diferentes municípios

O Município de Jacareí aparece numa lista de 15 cidades que são alvo de uma nova fase da Operação Lava Jato, denominada ‘Rock City’, e que foi deflagrada na manhã desta última quarta-feira (31), a partir da Superintendência da instituição em Curitiba, capital do Paraná. A ação é conduzida pela PF em cooperação com o Ministério Público Federal (MPF) e com a Receita Federal.

Segundo as investigações, a empreiteira Odebrecht admitiu em delação premiada que repassava dinheiro ao grupo cervejeiro Petrópolis no exterior, que, por sua vez, direcionava valores em espécie para campanhas políticas no Brasil. O esquema fraudulento chegou a movimentar mais de 300 milhões de reais em contas nacionais e internacionais.

De acordo com a Assessoria de Comunicação da Polícia Federal não é possível fornecer maiores detalhes em razão do caráter sigiloso da operação.

O nome da operação (‘Rock City’) remete ao nome traduzido para o inglês de ‘Cidade de Pedra’, significado em português das palavras gregas que remetem ao grupo investigado.

Cerca de 120 policiais federais cumprem um mandado de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 33 mandados de busca e apreensão, em 15 diferentes municípios (Boituva, Fernandópolis, Itu, Vinhedo, Piracicaba, Jacareí, Porto Feliz, Santa Fé do Sul, Santana do Parnaíba e São Paulo/SP; Cuiabá/MT; Cassilândia/MS; Petrópolis e Duque de Caxias/RJ; e Belo Horizonte/MG). Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba-PR.

Em Jacareí, a busca dos policiais federais foi para o cumprimento de prisão de Naede de Almeida, que foi citado durante delação premiada. Foi apurado que a Juíza Substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, Gabriela Hardt, foi quem determinou a prisão temporária de cinco dias de Naede, que aparece nas investigações como proprietário da ASF Capital, Consultoria e Participações Ltda., com sede em Perdizes, São Paulo, mas consta como residente em um endereço no bairro Altos de Santana I, na região leste de Jacareí.

OS FATOS
Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados nesta fase mantêm relação com as atividades do setor de operações estruturadas da empreiteira, responsável por viabilizar os pagamentos ilícitos do grupo, de forma profissional e sofisticada, “e, assim, evitar o rastreamento dos valores e a descoberta dos crimes pelas autoridades de persecução penal”. A suspeita é que offshores relacionadas à empreiteira realizavam – no exterior – transferências de valores para offshores do grupo investigado, o qual disponibilizava dinheiro em espécie no Brasil para realização de doações eleitorais.

Um dos executivos da empreiteira investigada, em colaboração premiada, afirmou que utilizou o grupo investigado para realizar doações de campanha eleitoral para políticos de outubro de 2008 a junho de 2014, o que resultou em dívida não contabilizada pela empreiteira com o grupo investigado, no valor de R$ 120 milhões. Em contrapartida, a companhia investia em negócios do grupo investigado.

Também foi apurado que um dos executivos do grupo investigado, valendo-se do instituto do Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT) instituído pela Lei 13.254/16, regularizou em 2017, mediante apresentação de declaração falsa de que esses valores seriam oriundos de atividades lícitas, R$ 1,3 bilhão. Contudo, há indícios de que essa regularização tenha sido irregular, em razão da suspeita de que os valores seriam provenientes da prática de “caixa dois” na empresa, com origem em um sofisticado esquema de sonegação tributária que contava com a burla de medidores de produção de cerveja, a qual era então vendida diretamente a pequenos comerciantes em espécie, sendo os valores então entregues a couriers da empreiteira.

O esquema desenvolvido com o grupo investigado é uma das engrenagens do aparato montado pela empreiteira para movimentar valores ilícitos destinados sobretudo para pagar propina a funcionários públicos da Petrobras e da Administração Pública brasileira e estrangeira. Outro delito a ser apurado é o de lavagem de dinheiro. Também foi determinada ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros dos investigados.

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal no Paraná, onde serão interrogados.

 

Fonte: Diário de Jacareí

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