Igreja marca para dia 16 mediação da crise na Nicarágua

O presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua, Leopoldo Brenes, marcou para quarta-feira (16) a reunião com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que pretende encerrar a crise que se instaurou no país há quase um mês. Neste período pelo menos 50 pessoas morreram nos protestos que tomaram conta de várias cidades, de acordo com organizações não governamentais.

As manifestações tomaram conta das principais cidades nicaraguenses desde o mês passado. Os manifestantes protestam contra a reforma da Seguridade Social, o equivalente à Previdência Social no Brasil, e medidas de segurança adotadas pelo governo do presidente Daniel Ortega, apontadas como violentas e agressivas.

Os bispos colocam a Igreja Católica como mediadora do conflito e exigem o fim da repressão, desmantelando os grupos paramilitares e em acordo com as investigações da missão da CIDH.

A CIDH é um órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja função é promover e proteger os direitos humanos nos 35 países do continente americano. A investigação de uma organização internacional independente foi uma das condições da Igreja Católica para mediar um diálogo entre manifestantes e o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

Os protestos reuniram universitários, agricultores e empresários contra Ortega, que, em 2016, foi reeleito para o terceiro mandato consecutivo.

Daniel Ortega, líder da Revolução Sandinista que, em 1979, derrubou a ditadura de Anastásio Somoza, tem sido acusado pela oposição (e também por ex-aliados) de querer instalar uma dinastia política na Nicarágua, parecida com a que ele combateu quando era guerrilheiro de esquerda. A mulher dele, Rosario Murtillo, é sua vice e porta-voz.

Agência Brasil